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Buritis e sonhos

  • Foto do escritor: Gabriel Gama
    Gabriel Gama
  • 8 de jun. de 2025
  • 1 min de leitura

É tudo muito verdadeiro no sertão. Em seus ventos, grilos e estrelas.


Lá, as coisas acontecem como numa espécie de endivinamento. Estão sempre dispostas a serem exatas, riquezas dentro do previsível.


Quando chove, chove. Quando seca, seca.


Não há tempo para muitas complicações.


O sertão ensina por sinceridade.


Vê-se no comportamento do dia. Nas horas permanentes de sol, o sertão molha-se com suas próprias histórias fecundadas dos brejos e das veredas.


Quando o dia põe-se abaixo, expande-se pelos seus silêncios de natureza.


O sertão não é o fim do mundo nem o seu início. O sertão é nascido do meio das coisas, por isso, põe-se sempre a crescer para todos os lados.


Nada corta-lhe a vontade de ser mais inteiro do que já é.


Se o sertão fosse o início ou o fim, já nasceria limitado a um ponto de partida ou chegada. Mas o que lhe compõe é a vastidão.


O sertão tem o horizonte mais infinito do mundo. Dentro dele, cabe mil um sóis e estrelas e buritis e bodes e sonhos.


O sertão, irmão, é todo inundado. Engana-se até o vazio.


Talvez seja por isso que a noite comprime-lhe sempre a frios gélidos.


É uma forma de adormecê-lo para que sempre acorde disposto a continuar.

 
 
 

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